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Teste comportamental: autoconhecimento para profissionais de sucesso

19.05.2019

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Precisamos falar sobre aborto

 

Uma mulher aborta por minuto no país, de acordo com a Pesquisa Nacional do Aborto de 2016. Dados do Ministério da Saúde mostram que todos os dias quatro mulheres morrem devido a complicações do aborto.

 

O obstetra e coordenador do GEA, Grupo de Estudo sobre o Aborto, Thomaz Gollop alerta "ocorrem cerca de 300 mortes maternas por ano no Brasil, sendo o aborto inseguro a quinta causa de mortalidade materna, e a primeira em Salvador, uma das capitais mais desiguais do país".

 

Gollop também destaca "nenhuma mulher opta por um aborto em função das leis  ou por imposição ética ou moral. A mídia e os debates sobre o tema perguntam: Você é contra ou favor do aborto? Ninguém é a favor do aborto! O que se discute é se ele deve ser tratado pelo Código Penal e ameaçar mulheres que a ele recorrem com pena de cadeia."

 

No Brasil, o aborto é considerado crime, com pena que pode variar entre 1 a 3 anos de detenção. Fator que não impede que milhares de mulheres coloquem suas vidas em risco ao interromper uma gravidez não planejada. O aborto só é permitido no Brasil, em caso de estupro, quando coloca em risco à vida da mulher ou se o feto for anencefálico.

 

A Pesquisa Nacional do Aborto também mostra que uma a cada cinco mulheres de até 40 anos fez pelo menos um aborto. De acordo com a pesquisa 503 mil mulheres abortaram no país em 2015.

 

 

 

Mulheres abortam

 

A professora Julia*, de 31 anos, conta que fez um aborto aos 19 anos. Carioca, de classe média, ela ficou grávida, e junto com o namorado e a mãe decidiu interromper a gestação de 20 dias “não tinha condições de ter um filho, não tinha cabeça, nem estrutura financeira”.

 

Na época, pagou R$700 e fez um aborto em uma clínica particular, sem complicações. Mas, meses depois veio o arrependimento “se minha mãe e o meu namorado tivessem me apoiado eu não teria feito o aborto”. Com a idade, também veio o amadurecimento “eu fiz o que deveria ter feito”.

 

Hoje ela é mãe de um menino de dois anos, mas passou os últimos anos pensando que não conseguiria engravidar novamente como uma forma de punição pelo que fez. Afinal nossa sociedade machista e religiosa se encarrega de julgar e condenar as mulheres que abortam. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope em 2014, 79% dos brasileiros são contra o aborto.

 

A professora acredita que o aborto deve ser descriminalizado “só as mulheres são penalizadas, com suas vidas, saúde e liberdade”. E contesta o fato do aborto ser crime no Brasil, já que o governo proíbe a interrupção da gravidez, mas não ampara a mulher quando ela tem um filho “o Estado nos pune da maneira mais cruel, seja presa, morta, doente, sem creche e sem médico para nossas crianças”.

 

Ana* tem 25 anos, é secretária e mãe de um bebê de dois meses. Aos 18 anos, abortou. A mãe e o padrasto fizeram ela escolher entre ir embora de casa ou interromper a gravidez. O namorado também não apoiou. “Tomei as pílulas de Cytotec e introduzi as outras, não me lembro quantas foram, só me lembro de chorar muito”. Com dois meses de gestação  abortou.

 

 

              "Eu sempre julguei as mulheres que faziam aborto, achava                    que deveriam ser responsáveis e tudo mais. Até que

      eu tive que fazer um, e mudei minha opinião"

 

 

O Cytotec é um remédio indicado para tratamento de úlcera, mas também é utilizado como abortivo. Sua comercialização no país é proibida desde 2005, sendo considerada crime hediondo, com pena de até 15 anos de prisão, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).


 

 

Julia é de classe média, fez um aborto em uma clínica particular, com acompanhamento médico. Ana sem condições financeiras tomou remédios e abortou em casa. A diferença entre elas? Classe social! Mulheres com dinheiro abortam de forma segura, mulheres pobres abortam de maneira clandestina e insegura. Mulheres ricas vivem, as pobres morrem.

 

Em 2013, o Conselho Federal de Medicina defendeu a autonomia da mulher para realizar o aborto até a 12ª semana de gestação, por considerar que até esta data, o risco para a gestante é menor e o sistema nervoso central do feto ainda não está formado. De acordo com o médico Drauzio Varella, se a doação de órgãos em caso de inatividade cerebral tem aceitação popular, por que a retirada de um feto igualmente sem atividade cerebral é criticada?

 

O aborto e a lei brasileira

 

Em dezembro de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu o direito de responder aos crimes em liberdade,  aos médicos e enfermeiros denunciados por prática de aborto e formação de quadrilha. Na ocasião, o Supremo considerou não ser crime a interrupção da gravidez até o terceiro mês da gestação.

 

De acordo com o ministro Luís Roberto Barroso, interromper a gravidez até a 12ª semana não pode ser considerado crime, pois viola os direitos fundamentais da mulher. 

 

"Os direitos sexuais e reprodutivos da mulher, que não pode ser obrigada pelo Estado a manter uma gestação indesejada; a autonomia da mulher, que deve conservar o direito de fazer suas escolhas existenciais; a integridade física e psíquica da gestante, e a igualdade da mulher, já que homens não engravidam e, portanto, a equiparação plena de gênero depende de se respeitar a vontade da mulher”. A ministra Rosa Weber e o ministro Edson Fachin acompanharam o voto de Barroso.

 

Abortando em outros países

 

Nos EUA, o aborto é legalizado em todos os estados do país desde 1973. A Suprema Corte do país considera que é inconstitucional a proibição do aborto, pois vai contra a liberdade individual das mulheres. De acordo com a lei norte-americana, a gravidez pode ser interrompida até o primeiro semestre de gestação, porém, depois desse período existem limitações.

 

Com a legalização do aborto nos Estados Unidos, há 44 anos, o índice de aborto era de 16,3% por ano. Na década de 80, o país alcançou 29,3% de abortos por ano, posteriormente, os números caíram alcançando em 2011, 16,9%, como mostram os dados divulgados pelo jornal norte-americano The Atlantic. 

 

O país mostra que o direito ao aborto não implica necessariamente no aumento de abortos, argumento muito utilizado pelas correntes contrárias a legalização do aborto. Nos EUA, a maioria dos americanos são moralmente contra o aborto, mas respeitam o direito das mulheres em relação aos seus corpos.

 

No continente europeu, apenas três países proíbem ou restringem o aborto. São eles: Malta (território do Vaticano onde é proibido abortar), Irlanda e Polônia (onde o aborto só é permitido quando há risco de morte da mãe, estupro e anencefalia).

 

Em relação a legalização do aborto, a América Latina é um dos locais mais conservadores do mundo. Sendo que a prática não é permitida em nenhuma circunstância em países como Chile, El Salvador e Nicarágua.

 

Já no Uruguai, Guiana, Porto Rico e Cuba, o aborto pode ser realizado sem que seja necessário apresentar justificativa, até a 12ª semana de gestação. E, nos outros países latino-americanos o aborto só é permitido em casos de risco à vida da mãe, má-formação do feto ou estupro. 

 

O Brasil, mais uma vez fica para trás em relação às nações mais desenvolvidas do globo, que respeitam o direito de escolha das mulheres, sendo o aborto realizado de forma segura, sem colocar a vida da mulher em risco.

 


A sociedade precisa entender que o aborto é sempre uma escolha difícil, dolorosa e traumatizante para uma mulher.  

 

 

*Os nomes utilizados são fictícios para não expor a identidade verdadeira das entrevistadas.

 Foto 1: Fernando Frazão/Agência Brasil / Foto 2: odia.ig.com.br

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