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Teste comportamental: autoconhecimento para profissionais de sucesso

19.05.2019

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Abandono afetivo: amar é escolha, cuidar é dever

 

 

Ser pai ou mãe vai muito além das obrigações financeiras, não é apenar garantir a alimentação e o bem-estar físico dos filhos. Também é responsabilidade dos pais cuidar, proteger e estar presente na vida da prole. Mas não é o que acontece em milhares de lares brasileiros, onde crianças crescem sem afeto, principalmente do pai, que separado da mãe, muitas vezes esquece do filho. 

 

O psicólogo e advogado Vinicius Carreira explica que o abandono afetivo acontece quando um dos pais se nega a dar ao filho o afeto necessário para desenvolvimento saudável. "Esse abandono pode acontecer de várias formas, a mais comum ocorre quando o pai ou mãe simplesmente desrespeita os períodos de 'visita', passando muito tempo sem conviver com o filho".

 

Foi o que aconteceu com a estudante Letícia Guimarães de 24 anos. Após a separação dos pais e uma tentativa frustrada de morar com a mãe, aos seis anos ela foi viver com os avós paternos. "Durante 20 anos minha mãe só veio me ver uma vez, e isso já faz quase 15 anos. Ela teve outro filho, mas não o conheço. Nesse tempo, ela nunca ajudou financeiramente e nem emocionalmente".

 

 

Enquanto a mãe mora a quilômetros de distância, o pai vive perto, mas a estudante também sente que foi deixada de lado por ele. Hoje, casada e mãe, ela afirma "com o tempo você se acostuma com a ausência das pessoas e também vai deixando de tentar juntar as peças desse quebra cabeça, afinal se para eles isso não faz diferença, para você precisa deixar de fazer".

 

De acordo com o advogado Vinicius Carreira, a lei brasileira não criminaliza o abandono afetivo, porém, o artigo 227 da Constituição Federal garante que crianças, adolescentes e jovens devem ser protegidos, entre outras coisas, de qualquer forma de negligência, inclusive afetiva e emocional.

 

O advogado também explica que o artigo 19 do Estatuto da Criança e do Adolescente assegura às crianças e adolescentes o direito de serem criados no seio familiar. Sendo assim, o abandono afetivo viola as proteções previstas na Constituição e na Legislação, embora não seja crime, ele é um ato ilícito; e a vítima do abandono tem direito a pedir indenização pelos danos morais sofridos.

 

Em 2012, a justiça brasileira condenou um pai a pagar R$ 200 mil de indenização à sua filha devido ao abandono afetivo. Na ocasião, o ministro Marco Buzzi declarou

 

"Não se trata de uma impossível obrigação de amar, mas de um dever impostergável de cuidar".

 

 

A analista Isabela Bocamino de 29 anos é mãe do Gabriel de 9 anos. Ela destaca que o pai do filho não participa da educação da criança "o único relacionamento que meu filho tem com o pai dele, é que ele leva o Gabriel para escola, mas ele não passa nem meio dia com o menino. Há 3 anos, ele entrou na justiça pedindo a regulamentação da visita, mas nunca cumpriu com o que ele mesmo solicitou".

 

Segundo o advogado, nos casos em que o genitor apenas paga a pensão, sem dar afeto ao filho, o responsável pela criança pode mover uma ação contra o genitor omisso. Assim, o juiz determinará a participação ativa dele na vida do filho, podendo fixar multa caso ele não cumpra com o seu dever de convivência.

 

O abandono afetivo pode causar diversas consequências no desenvolvimento saudável e na formação da personalidade, como explica o psicólogo Vinicius Carreira. "Além de dificultar a criação de apego (pode gerar insegurança e falta de autoconfiança), a criança pode se sentir excluída ao se comparar com outros que convivem com os genitores, o que pode atrapalhar seu desempenho escolar e dificultar o enfrentamento de conflitos que vivenciará durante a vida. Vale lembrar, os efeitos do abandono variam de pessoa para pessoa".

 

 

O psicólogo afirma que é importante a tentativa de reaproximar o genitor ausente do filho, mas alerta " os pais devem manter uma relação pacífica, do contrário, os conflitos podem ser tão negativos quanto o próprio abandono afetivo". Além disso, a aproximação deve ser gradual, para que a criança ou adolescente possa se habituar com a presença do genitor. "Se possível, o filho deve ser acompanhado por psicólogo que possa garantir que o contato com o genitor ocorra de forma saudável para o seu desenvolvimento".

 

Rafael de Almeida tem 25 anos, é analista de negócios e professor. Ele foi criado durante a maior parte da infância pelo pai, mas encara a ausência da mãe com tranquilidade. "Penso que minha mãe me deixou com meu pai e foi seguir a vida dela. Ela continuava me amando e estava vivendo uma vida separada de mim. Ela sempre trabalhou muito e quando vinha para casa estava exausta, desabava emocionalmente ou dormia. Eu naturalizei a ida dela, não mudou nada para ruim, na verdade as brigas em casa diminuíram. Eu a admiro demais, ela é para mim um grande exemplo".

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