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Teste comportamental: autoconhecimento para profissionais de sucesso

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Elas também querem prazer

10.10.2017

Os dois maiores sites de pornografia Pornhub e RedTube revelaram em agosto de 2015 que as brasileiras e filipinas são as que mais acessam o conteúdo dos portais. Sendo a audiência deles 65% masculina e 35% feminina. A pesquisa mostrou que os temas mais procurados pelo público feminino foram “lésbicas”, “trios”, “squirt” (ejaculação feminina) e "sexo entre homens".

 

É por isso que o mercado de produção pornográfica tem voltado o seu interesse para as mulheres. Prova disso é o site XConfessions, lançado por Érika Lust, que é feminista e diretora de filmes nesta área. O portal é um espaço que oferece produções dirigidas por mulheres e para mulheres.

 

Essa dinâmica tem efeito porque nele há um espaço para as internautas: elas comentam suas experiências, relatam histórias e fantasias sexuais “tim tim por tim tim”. Todo mês são selecionados dois relatos que são transformados em curtas-metragens, e os acessos chegam a 15 mil por dia.

 

Erika Lust, diretora de filmes de pornográficos para mulheres

 

 

Érika Lust não é qualquer diretora de filme, ela já acumula prêmios e menções honrosas. Suas produções são marcadas por investir na estética, fotografia, trilha sonora e sempre trazendo a mulher como protagonista da história. 

 

Karoline Lopes é jornalista e pesquisadora do mundo pornô e suas configurações estéticas, culturais e sociais. Segundo Karoline existe uma diferença entre o conteúdo pornográfico atual e o pornô feminista. “A diferença é a representação feminina, não somos retratadas apenas como um pedaço de carne orgasmático. A parte estética também é importante, enquanto os materiais comuns não se preocupam com cenário, iluminação e roteiro, a pornografia  feminista presta atenção nos detalhes".

 

Analisando os filmes para mulheres a partir de uma visão feminista, ainda não há como assegurar que eles são saudáveis. Lopes comenta que não acredita que o pornô voltado para mulheres seja mais honesto e digno, pois toda pornografia envolve teatralidade, muitas vezes, os atores nem fazem sexo de verdade.

 

A grande diferença é que ela não trabalha com estereótipos, mulheres "comuns", que poderiam ser eu ou vocês, estrelam esses filmes. Importante destacar que investir em estética pode passar a ideia de que a mulher não é capaz de separar o sexo do romance, o que pode ser mais um estereótipo.

 

Uma das coisas que dificulta uma conclusão sobre este tema ainda mais na perspectiva feminina é a falta de materiais para estudo, “é difícil encontrar material, principalmente acadêmico, sobre o tema. Sexo ainda é um tabu muito forte”, complementa Karoline.

 

As mulheres não estão só em frente as câmeras, elas também decidem como e o que fazer/Foto:shutterstock

 

 

Não é só com filme que as mulheres se divertem. Os textos eróticos estão aí, mas assim como os filmes, eles precisam melhorar. 

 

Nos últimos tempos a leitura erótica principalmente para as mulheres passou a ser tema. Isto se deve ao sucesso da trilogia dos best-sellers Cinquenta Tons de Cinza que vendeu mais de 100 milhões de cópias no mundo.

 

É importante destacar que a produção literária feita por mulheres e para mulheres não é novidade. Acontece que as escritoras mesmo que não fossem do campo erótico tinham dificuldade para decolar suas obras, é o que afirma Luciana Borges, doutora e pesquisadora de literatura erótica “as autoras tiveram sua produção desvalorizada e invisibilizada pelo simples fato de serem mulheres, com isso, o que uma mulher escrevia apenas poderia interessar a outras mulheres e portanto, seria uma literatura inferior".

 

Segundo o portal feminista e brasileiro Think Olga, a crítica literária Regina Dalcastagnè analisou 258 livros. Nessas obras, 71,1% dos personagens principais são homens, 79,8%, brancos e 81%, heterossexuais – somente 3 protagonistas são mulheres e negras; considerando todos os personagens, 62,1% são homens, 37,8%, mulheres e apenas 7,9%, negros. 

 

Luciana explica que além deste preconceito, a escrita erótica sofreu influências machistas devido a construção social que a mulher é submetida “uma possível diferença entre a escrita masculina e feminina na literatura erótica provém da experiência feminina em sociedade, tanto em termos da construção do que se considera feminino quanto em termos de uma construção da sexualidade e do desejo femininos e dos modos pelos quais estes se expressam socialmente".

 

A pesquisadora também destaca que "no ambiente ocidental, severamente marcado por valores do patriarcado, a sexualidade feminina foi constantemente restringida e reprimida em função de valores morais e religiosos. Dessa forma, quando uma mulher se dispõe a escrever uma literatura que expresse o livre exercício da sexualidade e do desejo, este ato já apresenta aspectos transgressores. A liberdade sexual das mulheres ainda causa estranhamento e suscita atitudes de controle".

 

 

 Voltando ao polêmico Cinquenta Tons de Cinza é possível identificar dezenas de estereótipos e problemas na construção da narrativa dele, mesmo que produzido por uma mulher. Luciana escreveu um artigo sobre a obra, “mesmo se apresentando como transgressor ao abordar o universo BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo), a narrativa se caracteriza por reproduzir estereótipos de gênero perniciosos para as mulheres, e este seria um possível problema.

 

Na série a relação de Anastasia e Grey é sustentada por constantes abusos e possessividade por parte do parceiro. Ficando a mulher com o papel de transforma-lo em alguém melhor. “O texto aciona estratégias problemáticas em termos de hierarquia de gênero e controle da sexualidade feminina. Além disso,  o filme ao mostrar uma 'fantasia do orgasmo permanente', na qual o parceiro masculino tem total controle sobre o prazer da mulher, projeta fantasias típicas do romance rosa ou água com açúcar, reafirmando com uma imagem reconfigurada de Grey o príncipe encantado”, completa Luciana.

 

Apesar destes pontos negativos, a pesquisadora acredita que a comercialização ainda é positiva, pois “com a alta vendagem, pode-se naturalizar a ideia de que mulheres também escrevem sobre sexo e colocar o assunto – ainda polêmico em tempos de neoconservadorismo religioso – em alta.

 

Problematizar sobre todos esses pontos negativos que a produção erótica apresenta pode ser desanimador, mas ainda há uma esperança, Borges destacou algumas obras que valem a pena ler: A via crucis do corpo; Contos de Diana Caçadora/ Tango Fantasma; Trilogia Obscena (O caderno rosa de Lori Lambi; Cartas de um sedutor; Contos d’escárnio) e 50 versões de amor e prazer.

 

 

  Portanto, mãos à obra!!

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